11 de abril de 2019

Quando nossas decisões não são as melhores - Fabiano Moulin - Casa do Saber

Síntese estendida do vídeo de 6m55s de Fabiano Moulin publicado em 11 de abril de 2019 pelo canal Casa do Saber. O autor é médico, graduação pela UFES iniciada em 2003, com residência em neurologia entre 2010 e 2013 e mestrado também em neurologia entre 2014 e 2016, ambos pela UNIFESP. Mais dados, conferir o lattes.

O vídeo discute sobre os tipos de perguntas que estamos habitualmente aptos a responder de forma rápida e outras que, via de regra, é necessário maior reflexão, é melhor responder devagar. E, também, como forma de melhorar as escolhas sobre o que carecemos de uma ágil (boa) resposta, é abordada a manipulação da arquitetura dos ambientes (nudge ou empurrãozinho).


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Rápido e Devagar - Daniel Kahneman
1. Partindo do estudo de Daniel Kahneman[1] sobre tomada de decisões, Moulin discorre sobre situações nas quais as pessoas estão normalmente aptas a tomar decisões rapidamente, quase que por impulso, e outras nas quais um momento de maior reflexão é necessário.

2. A tomada de decisão é, em regra, confiável, quando a resposta à pergunta é: i) imediata, no sentido de que o resultado/recompensa da resposta àquela pergunta vem logo em seguida ao momento em que a escolha é feita; ii) experimentação, ou seja, por quantas vezes e durante quanto tempo respostas já foram dadas para aquele mesmo tipo de pergunta (opõe-se ao ineditismo da pergunta a ser respondida); iii) experienciação, de tal sorte que os sentidos podem traduzir e antecipar a resposta à pergunta feita.

3. Exemplo. Você gosta de sorvete de chocolate ou de menta? Trata-se de uma pergunta cuja resposta é imediata, porque logo após tomar o sorvete é possível definir se se gosta ou não. A pergunta já passou por uma série de experimentações e respostas ao longo da vida. A simples pergunta evoca a experienciação passada, sendo traduzida por uma memória do sabor do sorvete preferido (resposta).

4. Por sua vez, decisões que exigem maior reflexão se contrapõe às características anteriores. Carece de imediatismo a decisão que implica em resultados/benefícios tardios, a decisão que só se traduz em efeitos concretos depois de um lapso temporal. Exemplos: dieta e atividade física. A resposta irrefletida da maioria das pessoas se traduz em negar uma dieta ou não praticar atividade física.

5. Perguntas raras, que surgem uma única vez ou poucas vezes durante a vida, são perguntas cujas respostas não foram outrora experimentadas. Assim, exigem maior ponderação na escolha a ser feita. Exemplos: que curso superior escolher; que careira seguir; se, com quem e quando se casar; qual casa comprar.

6. Perguntas cujas respostas nunca foram traduzidas em sensações pretéritas, ausentes de experienciação por parte do indivíduo, com argumentação exclusivamente racional, também exigem maiores considerações. Exemplo: todos sabem que diversas drogas são potencialmente danosas, mas recusá-las de antemão, sem ter experienciado a doença que podem provocar, faz com que a recusa a elas não seja imediata.

7. Sobre as formas de resolver essas decisões mais complicadas, que as pessoas (e coletividades, como empresas e governos) geralmente não possuem boas respostas quando agem impulsivamente, Fabiano Moulin se vale das reflexões de Richard Thaler e do conceito de nudge (empurrãozinho) por este desenvolvido.

Nudge - Richard Thaler
8. Nudge seriam modificações na arquitetura dos ambientes passíveis de induzir determinados comportamentos/respostas, muitas das vezes sem uma percepção consciente por parte do tomador da decisão. Não se trata de uma novidade, é algo o qual, cientes ou não, estamos todos imersos. No entanto, o pleno conhecimento do nudge pode auxiliar nas decisões as quais, via de regra, não somos naturalmente competentes.

9. Exemplos de nudge trazidos por Moulin que envolvem escolhas com efeitos benéficos não imediatos; i) a organização das bebidas (quer consumir menos refrigerantes?) num estabelecimento comercial, uma vez que hoje se sabe que as bebidas que estão na altura da vista das pessoas são 30% mais consumidas que o restante; ii) o tamanho do prato é umas das mais relevantes variáveis para a escolha do quanto uma pessoa vai se alimentar (dito assim, nem parece uma escolha); iii) uma vez de dieta, evitar o fácil acesso aos doces em casa; iv) redução de impostos para incentivar a leitura; v) taxação de carros poluentes para reduzir a emissão de gases tóxicos[2]. Arquitetura que interfere em decisões inéditas, até então não experimentadas: i) o intervalo, o qual pode ser interpretado como espécie de prazo de respiro, que há para se casar no Brasil.

Eis a síntese do vídeo de Fabiano Moulin “Quando nossas decisões não são as melhores”.

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