No tempo das grandes navegações, contornar o sul do que hoje
é a África do Sul foi o último obstáculo para se dirigir ao lucrativo comércio
com as Índias. Era região de águas perigosas e, depois de enfrentar dias de
fortes chuvas, o primeiro a contorna-lo, Bartolomeu Dias, o batizou de Cabo das
Tormentas. Contudo, com o sucesso da expedição de Bartolomeu, que efetivamente
chegara às Índias, seu rei, João II, rebatizou o lugar para Cabo da Boa
Esperança.
Ultimamente cheguei à conclusão que existem certas
reflexões, certas conclusões sobre a vida que são verdadeira conversão de Cabo
das Tormentas para Boa Esperança. Trata-se de percepções elucidativas que,
depois de alcançadas, se tornam caminho sem volta.
Muitas dessas conclusões, quase todas, vieram para mim
nestes últimos anos numa dialética que somou as experiências fáticas que me
quebraram por dentro com as leituras e reflexões que me (re)construíram e me
transformaram. Não sou o mesmo de outrora.
Só hoje, depois de escritos cinco textos neste Blog neste
mês de março, é que cheguei à conclusão do objetivo geral desses textos que
escrevo, transcrevo e organizo: continuar a
digerir a informação que me chega, desta vez de um modo muito mais
analítico do que caótico, para elaborar conhecimento, seguir me transformando
e, quem sabe, com sorte, alcançar outras pessoas com essas reflexões.
Existência sem essência, vida sem manual de instruções, é
com um somatório de experiência e conhecimento que pode ser deixado de lado uma
existência de náufrago para transitar com algum rumo pelos dias que se sucedem
inexoravelmente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário