21 de março de 2019

Educação e equilíbrio emocional segundo a neurociência - Claudia Feitosa-Santana - Casa do Saber

Síntese estendida do Vídeo de 9m38s de Cláudia Feitosa-Santana publicado em 21 de mar de 2019 pelo canal Casa do Saber.

1. Segundo a neurociência, é possível modificar uma reação maléfica padronizada – ironia, xingamento ou agressão - surgida enquanto resposta à determinada situação estressora ou ao contato com uma pessoa que lhe pareça irritante.
2. Sabe-se que felicidade ou tristeza são estados transitórios por excelência, ou seja, os estados emocionais são oscilantes, logo: não somos felizes, mas estamos felizes. Não se é deprimido, se está deprimido. Diante dessa premissa - que foge de um estigma estático -, conclui-se que os estados emocionais são passíveis de controle, ou ao menos de uma modulação, por parte do indivíduo.

3. Ponto I: Os circuitos neurais emocionais não nascem prontos, na verdade, a maioria deles vai sendo construído ao longo da vida. Assim, as reações emocionais não são predominantemente inatas (como o hardware), elas podem ser adquiridas e são passíveis de mudança com o correr do tempo (como um software em contínua atualização).

4. Diante desse potencial de mudança, é possível ensinar nosso cérebro novas formas de enfrentamento diante de determinado contexto negativo. Da irritação para menos irritação. A seguir, indiferença e, quem sabe, gratidão. Interessante destacar o quanto essa ideia se aproxima de certas práticas meditativas que buscam ampliar a empatia pelas pessoas em círculos cada vez mais amplos: inicialmente se voltando para as pessoas queridas, as pessoas que nos são neutras, as pessoas difíceis e, finalmente, todos os seres.

5. As nossas emoções seriam previsões de nosso cérebro a partir de estímulos recebidos, seriam apostas de como enfrentar a vida. A modificação consciente das emoções é a maneira de enfrentar de forma diversa certo fato inicialmente interpretado como prejudicial ou desencadeador de uma emoção negativa.

6. Cientificamente, emoção e sentimento são conceitos diversos. Ponto II: a emoção é o estado físico inicial e o sentimento é a interpretação dessa emoção, é sua experiência mental. Meu batimento cardíaco, temperatura e sudorese mudaram, que pensamento – modo de enfrentar – evoco a partir disso? Luta, fuga, irritação ou empatia?

7. Nada no mundo externo vem com uma informação intrínseca a seu respeito. Toda informação é extraída a partir da interpretação do indivíduo segundo potencial/limitação de seus sentidos. Assim, os sentimentos podem cambiar segundo a interpretação de cada um. 

8. Dessa maneira, Ponto III: como forma de se posicionar frente ao mundo, devemos continuar interpretando da mesmo forma aquilo que trás reforço positivo e modificar nossa interpretação daquilo que carrega consigo um reforço negativo e nos é maléfico.

9. No entanto, o ser humano tente a repetir uma mesma interpretação para determinada emoção cristalizando o que parece ser uma reação sempre estática, verdadeira relação de causa e efeito. Sempre que acontece isso eu reajo desse jeito, ainda que traga prejuízo. Diante dessa tendência humana, é necessário modificar o sentimento de forma consciente e lembrar dessa modificação nas novas situações até que esse novo sentimento esteja internalizado e se torne algo automático (mas agora benéfico).

10. Numa situação estressora cuja resposta é um xingamento, o cérebro inicialmente sente alívio para, só posteriormente, sentir vergonha. E o cérebro acaba por se viciar na sensação/aposta imediata de alívio e passa então a repetir o comportamento que o gera. Xingo sempre porque me alivia. Como estratégia de mudança, inicialmente se deve fixar conscientemente a atenção na vergonha que aquela ação proporciona e buscar nova resposta para superá-la.

11. IV Ponto: Nossas emoções (ver parágrafo 6) são resultado de uma confluência entre o sistema límbico (primitivo) e a parte frontal do cérebro. Assim, a emoção não é exclusivamente uma resposta do instinto, envolve também processamento cognitivo, admitindo, portanto, algum controle por parte do indivíduo. É neste ponto que está a questão do autocontrole ou equilíbrio emocional.

12. Como consequência do poder da interpretação modular os sentimentos os singularizando (plano mental) a partir das emoções (plano físico), ou seja, como cada um sente de maneira diferente uma mesma emoção, surge o Ponto V: É um erro querer ler o que o outro está sentindo. Fazer essa leitura é apostar que o outro sente aquela emoção de forma semelhante a você, é crer que a interpretação do outro seja igual, mesmo cada um tento uma história de vida distinta.

13. Por consequência, é um erro tentar prever ou tentar mudar o outro porque cada um interpreta o mundo à sua maneira. Por outro lado, cada um tem o potencial de modificar a si mesmo segundo uma maior vigilância de suas emoções e uma alteração consciente de seus sentimentos. Dessa forma, cada um tem grande responsabilidade por suas ações, vez que são muito mais algo passível de controle do que mera reação impulsiva. Se você se irrita, a culpa é sua e não do outro. 

Eis a síntese do vídeo intitulado “Educação e equilíbrio emocional segundo a neurociência” de Cláudia Feitosa-Santana.