Síntese estendida do vídeo de 13m25s de Luiz Hanns publicado em 29 de novembro de 2018 pelo canal Casa do Saber.
Acredito como bastante válida a discussão lançada nesse vídeo –
independentemente de ser ou não período eleitoral ou de vivermos ou não numa
época polarizada – porque o pensamento que se desenvolve nele caminha para a
compreensão e, consequentemente, para a tolerância frente ao diferente no que toca às preferências políticas de cada um. Vamos ao que é dito no vídeo:
1. Na análise dos perfis psicológicos, Hanns exclui as
pessoas de ambos os espectros políticos que possuam um viés radical ou
fanático. Seu objeto volta-se para a maioria dos eleitores que possuem uma
preferência, uma simpatia por partidos mais à esquerda – socialistas e sociais
democratas – ou mais à direita, com enfoque conservador, tradicionalista e
cristão democrata.
2. Antes dessa análise, vale também ressaltar que um dos
motivos que direciona os votos do eleitorado é o cenário de crise, quando a
população tende a culpabilizar a situação e votar na oposição. Como exemplo,
basta observar a recorrente guinada na preferência do eleitor em contextos de
um governo que perdura por algum tempo e se vê marcado por corrupção ou
incompetência. Esse governo tende “a se queimar” e cai junto com ele – por um
tempo – sua (suposta) ideologia.
3. Contudo, independentemente de dessas circunstâncias oscilantes
que fazem a preferência do voto da população mudar entre diferentes correntes
políticas, há pesquisas da psicologia e neurociência que apontam para
determinados perfis de pessoas que tenderão a se identificar mais com correntes
de direita ou de esquerda. Trata-se mais de uma orientação psicológica (fixa)
do que circunstancial (variável).
4. O cerne argumentativo de Luiz Hans parte de uma pesquisa baseada em psicologia
evolutiva, animal e social, publicada em 1963, envolvendo populações de cinco
continentes diferentes e que, apesar da multiplicidade de países estudados,
apresentou resultados similares.
5. Segundo essa pesquisa, a inclinação por se simpatizar por
uma orientação política mais a direita ou mais a esquerda deriva da
interpretação de cinco fontes diferentes de condutas com características potencialmente polarizadoras. A
primeira delas seria a compaixão, assim entendida como a
tendência a auxiliar alguém necessitado ou ferido e, sua outra vertente, o despertar
de um sentimento de ódio por quem causou essa necessidade que agora precisa de
ajuda.
6. A segunda fonte seria a polaridade ligada à justiça
(distributiva), que pode se associar à noção de meritocracia – cada um tem
direito àquilo que produziu, ao resultado de sua ação – ou a uma noção de que cabe
a pessoa um quinhão proporcional ao seu esforço. Note que esforço não é
sinônimo de resultado. Posso escrever muitos textos neste blog gastando horas para isso (esforço),
mas muito provavelmente seu alcance (resultado) será pequeno, não passará de
alguns amigos meus. Tratar-se-ia de uma injustiça?
Em tempo: diante
dos lamentos de Maurílio e segundo os termos peremptórios de Rogerinho do Ingá,
caso seu perfil psicológico não se alinhe com a meritocracia, então só restará
um caminho: tem que acabar com a justiça!
7. A terceira fonte potencialmente polarizadora seria a
noção de pertencimento eidentidade. Há uma tendência natural do ser humano em agrupar-se em tribos,
assim entendido o alinhamento com determinadas pessoas ou grupos a partir de
gostos em comum: família, trabalho,
igreja, time de futebol... Nesse ritmo, como forma de realçar a força do grupo,
existem pessoas que tendem a rejeitar os grupos de que não fazem parte
(forasteiro enquanto ameaça). Mas há também os que se interessam por conhecer
os outros grupos (forasteiro enquanto objeto de curiosidade ou mesmo de tesão).
Noutros
termos, há os héteros que prefiram He-Man; outros estão mais propensos a ter
curiosidade em conhecer Steven Universe.
8. A quarta fonte é o respeito à ordem e à autoridade.
Algum grau de normatividade é necessário pra reger a vida em grupo. Há os que
sentem necessidade de uma maior ordenação e, por outro lado, existem pessoas que
buscam uma maior liberdade, se sentindo sufocadas pelo “excesso” de regras.
9. A última fonte estudada nessa pesquisa de 1963 é a virtude e a pureza. Refere-se à
como as pessoas tratam os tabus dos grupos aos quais pertencem, suas regras
gerais de proibição de natureza essencialmente moral. Aqui as pessoas podem se
posicionar pela obediência aos tabus ou pela sua ruptura.
Existem
os que podem se chocar com o amor de Julinho & Maurílio;
mas há também os que torcem pelo casal.
10. Uma vez explanadas cada uma das cinco fontes de conduta
polarizadoras, fica claro que pessoas alinhadas mais com partidos de esquerda
tendem: i) a valorizar compaixão, defendendo a intervenção do Estado na vida do
indivíduos fracos; ii) a buscar uma justiça que preze pela valorização do
esforço; iii) a estimular a diversidade em detrimento da coesão de grupos
rígidos; iv) a enxergar a autoridade como uma ameaça à liberdade; v) a
desdenhar da manutenção da virtude e pureza.
11. Por outro lado, eleitores mais à direita têm verdadeira inversão em relação ao quadro apontado
no parágrafo acima. Por exemplo, a noção identitária é muito forte, caminhando,
quanto ao diferente, muito mais para a mera tolerância do que para a integração.
Já uma autoridade forte é vista como inexorável para a paz social. A compaixão existe, mas tende a ficar restrita aos membros do grupo.
12. A partir de toda essa visão geral, note que a orientação
partidária a direita ou a esquerda é a
posteriori em relação a como o indivíduo se posiciona em relação às cinco
fontes de polarização citadas. Ou seja, primeiro a coletividade se organizou a
partir dessas fontes para depois fundar ou se identificar com determinada
corrente ideológica.
13. Luiz Hans passa a citar outros testes. No curioso Teste do Cachorrinho, se
identificou que, uma vez oferecido para a adoção dois cachorros com perfis bem
distintos – um dócil e brincalhão e outro obediente e companheiro -, eleitores
de esquerda se identificam mais com o primeiro e os de direita, com o segundo.
14. Numa pesquisa neurocientífica, descobriu-se que a amígdala – área ligada à percepção do
perigo, ao medo e à respectiva proteção ante a esses temores – dos eleitores
mais a direita possui um tamanho maior do que a dos eleitores mais a esquerda.
Quanto maior a sensação de medo, maior o clamor por autoridade, maior é o
receio frente ao diferente.
15. O último trabalho científico explanado por Luiz Hanns
foi Teste do Nojo, que consistia
em submeter as pessoas avaliadas à cheiros e imagens tidas geralmente por
desagradáveis. A rejeição dos eleitores de direita diante dessa exposição foi
maior do que a dos eleitores de esquerda.
16. Por fim, Hanns conclui com uma reflexão bastante conciliadora: as
ideias preconizadas por partidos tanto mais a direita quanto mais a esquerda
são essenciais para a coesão social, pois existem momentos que os agrupamentos
sociais demandam uma maior dose de regras e obediência à autoridade para
sobreviver e há momentos que a prevalência de ideias mais a esquerda (conferir
parágrafo 10) se fazem necessárias ou são causa do florescimento daquele
agrupamento. “Ambos os modelos são importantes, se alternam e fazem sentido."
Está concluída a síntese do vídeo intitulado “Os perfis psicológicos de quem é de direita e de quem é deesquerda” de Luiz Hanns.
Está concluída a síntese do vídeo intitulado “Os perfis psicológicos de quem é de direita e de quem é deesquerda” de Luiz Hanns.
